quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O que Regina Casé tem para nos ensinar sobre Estudo de Mercado

Se não quiser ler o texto, ao menos assiste ao vídeo da Regina Casé no TEDxSP de dois anos atrás. Vale muito os 16min – é uma aula de estudo de mercado.
"A gente tentou ir a lugares onde, em geral, as pessoas não iam, e conversar com pessoas que até então pareciam invisiveis"


Pra quem trabalha com pesquisa de mercado, nada melhor do que ter referências e a minha, sem dúvida, é a Regina Casé. Talvez inspirado ainda pelo TEDx, mas verdade seja dita: desconheço uma pessoa que sabe aproveitar o que a realidade tem para oferecer. Explica-se: Regina Casé não vive do que vai acontecer, ela procura o que está acontecendo e, para isso, assume múltiplas personalidades.

É a Regina da favela,do gueto na Angola, da que conta história com um pé de árvore, da que faz humor sem apelar para o preconceito. Com tudo isso ela revela um submundo, algo que a gente não acredita que pode estar acontecendo porque a gente se deixa influenciar pelo que vê na TV – e a TV não representaria mais o que é popular, segundo ela mesma.

E pelo que ela mostra, a arma contra a verdade é o preconceito. E a verdade, conforme a Regina Casé, tá na cultura de cada povo e de cada localidade, seja rico ou seja pobre. E para conhecer essa realidade, é preciso viver ela, buscar estar junto para entender como as coisas funcionam. Além disso, ao tentarmos ignorar esses micromovimentos, desestimulamos verdadeiras economias locais, que ajudariam estes espaços a se reinventarem sem a ajuda direta de um poder maior. Da mesma maneira, ao fazermos um estudo, quanto não estaríamos ignorando o que acontece por baixo, por nos contentarmos com o raso (ou tradicional) ou só com o que pode ser tendência?

Por isso, pra mim, Regina Casé é uma aula de pesquisa de mercado. Ninguém como ela faz um trabalho de campo, um estudo etnográfico; uma entrevistada que não tenta ser mais do que o seu “objeto” de estudo, levando ele para um estúdio fechado, mas transforma o espaço dele numa oportunidade maior a ser explorada.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Quer fazer um voluntário feliz? Sorria =D

No último sábado tive o prazer de participar do TEDx Vale dos Vinhedos, evento que aconteceu no hotel Vila Michelon em Bento Gonçalves na serra gaúcha. Quinze palestrantes das mais diversas áreas expuseram em no máximo 18 minutos sobre o tema Futuros Possíveis – e o que eles estavam contribuindo para torná-los realidade.

Mas o que me motivou a escrever esse texto foi que novamente tive o prazer de trabalhar como voluntário em um TEDx – em novembro de 2010 foi no TEDx Porto Alegre. Eu e mais nove voluntários subimos a serra no sábado cedinho para ajudar o pessoal no cadastramento, a organizar o público no auditório e outras funções bem burocráticas. A minha, em especial, era de guardião da porta: depois que uma das palestras começava ninguém entrava mais, para não atrapalhar a filmagem nem a atenção e/ou visão do público presente.

Muita gente não entende qual era a razão de ficar do lado de fora e não poder ver nenhuma palestra, afinal, a grande moral do evento é se emocionar com as histórias dos palestrantes. Mas para quem entende o seu papel, a emoção é a mesma. Voluntariamente, a gente aceita trabalhar num evento TED pelo propósito do próprio movimento: espalhar boas ideias. E, para espalhá-las, existe toda uma estrutura muito maior por trás, dando esse suporte.


Foto: Adriano do Canto

Sempre me perguntam porque eu participo do evento – e ainda mais de graça. Acreditar no TED é quer conhecer e saber que tem gente boa por ai, é dar nossa cara à prova e muitas vezes sermos surpreendidos que nós somos os únicos culpados de estarmos como estamos. É clichê, eu sei, mas o TED fala justamente do que a gente já não se sensibiliza mais e mostra que elas não desapareceram só porque paramos de falar.

Mas não era só isso que me fazia cuidar da porta e perder dois terços das palestras. Era proporcionar que outras quase 200 pessoas pudessem ouvir essas histórias, se emocionar e compartilhá-las. E eu ganhava quando, com o final de cada bloco, quando abria a porta, podia ver o riso fácil no rosto de quem, como eu, encontra esperança que a gente acha que tá esquecida na gente. Por isso, para fazer um voluntário do TED feliz, basta sorrir.

A gente ainda pode ver as palestras on-line, mas têm experiências que a internet ainda não conseguiu superar se vivenciadas no off-line.