Se não quiser ler o texto, ao menos assiste ao vídeo da Regina Casé no TEDxSP de dois anos atrás. Vale muito os 16min – é uma aula de estudo de mercado.
"A gente tentou ir a lugares onde, em geral, as pessoas não iam, e conversar com pessoas que até então pareciam invisiveis"
Pra quem trabalha com pesquisa de mercado, nada melhor do que ter referências e a minha, sem dúvida, é a Regina Casé. Talvez inspirado ainda pelo TEDx, mas verdade seja dita: desconheço uma pessoa que sabe aproveitar o que a realidade tem para oferecer. Explica-se: Regina Casé não vive do que vai acontecer, ela procura o que está acontecendo e, para isso, assume múltiplas personalidades.
É a Regina da favela,do gueto na Angola, da que conta história com um pé de árvore, da que faz humor sem apelar para o preconceito. Com tudo isso ela revela um submundo, algo que a gente não acredita que pode estar acontecendo porque a gente se deixa influenciar pelo que vê na TV – e a TV não representaria mais o que é popular, segundo ela mesma.
E pelo que ela mostra, a arma contra a verdade é o preconceito. E a verdade, conforme a Regina Casé, tá na cultura de cada povo e de cada localidade, seja rico ou seja pobre. E para conhecer essa realidade, é preciso viver ela, buscar estar junto para entender como as coisas funcionam. Além disso, ao tentarmos ignorar esses micromovimentos, desestimulamos verdadeiras economias locais, que ajudariam estes espaços a se reinventarem sem a ajuda direta de um poder maior. Da mesma maneira, ao fazermos um estudo, quanto não estaríamos ignorando o que acontece por baixo, por nos contentarmos com o raso (ou tradicional) ou só com o que pode ser tendência?
Por isso, pra mim, Regina Casé é uma aula de pesquisa de mercado. Ninguém como ela faz um trabalho de campo, um estudo etnográfico; uma entrevistada que não tenta ser mais do que o seu “objeto” de estudo, levando ele para um estúdio fechado, mas transforma o espaço dele numa oportunidade maior a ser explorada.

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